• Carolina Figueiredo

É possível reduzir cerca de 50% da emissão de GEE na produção de bovinos?

É impossível negar o impacto da produção de bovinos na emissão de gases de efeito de estufa. Segundo os mais recentes dados disponíveis, mundialmente, a produção de bovinos é responsável por cerca de 78% do total das emissões de GEE geradas pela pecuária.

É impossível negar o impacto da produção de bovinos na emissão de gases de efeito de estufa. Segundo os mais recentes dados disponíveis, mundialmente, a produção de bovinos é responsável por cerca de 78% do total das emissões de GEE geradas pela pecuária. No entanto, existem boas notícias!

Segundo um estudo realizado por uma equipa de investigadores da Universidade Estadual do Colorado, utilizando, de forma genérica, práticas de gestão pecuária mais eficientes na produção de bovinos de carne, haverá uma redução substancial nestes valores.


Dentro das práticas de gestão pecuária abordadas no estudo, as duas áreas que teriam maior impacto seriam o aumento da eficiência para produzir mais carne por unidade de GEE emitida - criação de vacas maiores a um ritmo mais rápido - e a melhoria nas estratégias de gestão do solo, promovendo o aumento do sequestro de carbono do solo e das plantas nas pastagens.


Foram avaliadas 12 estratégias diferentes para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa na produção de bovinos de carne a nível mundial, e concluiu-se que é possível reduzir estas emissões até cerca de 50% em certas regiões do mundo, sendo que os Estados Unidos da América e o Brasil são os países que apresentaram maior potencial.No caso do Brasil, com 57% da redução da emissão de GEE, as estratégias específicas incluíram melhorias na qualidade das rações, seleção genética e na gestão dos fertilizantes.


"O meu país natal, o Brasil, tem mais de 52 milhões de hectares de pastagens degradadas – área maior do que o estado da Califórnia", disse Amanda Cordeiro, coautora e estudante de pós-graduação na CSU. "Se conseguirmos alcançar uma regeneração em larga escala destas pastagens degradadas, implementando sistemas agro-silvo-florestais e adotando outras estratégias locais diversificadas de gestão da produção pecuária, o Brasil pode reduzir drasticamente as emissões de carbono".


Segundo esta equipa de investigadores, utilizando estratégias de gestão de sequestro de carbono nas pastagens, alterando a composição dos solos de forma orgânica e regenerando árvores e vegetação perene em áreas de florestas degradadas, bosques e margens de rios, seria alcançada uma redução em cerca de 46% das emissões líquidas de GEE por unidade de carne de bovino. As estratégias implementadas com maior impacto demonstraram ser a gestão integrada do terreno, onde foram incluídos esquemas intensivos de pastagem rotativa (maneio holístico), adição de composto aos solos, reflorestação de áreas degradadas e plantação seletiva de plantas de forragem criadas para sequestrar carbono nos solos.


Nos EUA, os investigadores descobriram que as estratégias de sequestro de carbono, tais como a gestão integrada do terreno e o pastoreio intensivo rotativo (maneio holístico), reduziram as emissões de GEE de bovinos de carne em mais de 100% - ou emissões líquidas nulas - em alguns sistemas de pastoreio. Mas as estratégias de eficiência produtiva não foram tão bem-sucedidas nos estudos dos EUA, possivelmente devido a uma elevada utilização dessas mesmas estratégias na região.


"A nossa investigação mostra o importante papel que os produtores podem desempenhar no combate à crise climática global, assegurando ao mesmo tempo o seu sustento e estilo de vida", disse Clare Kazanski, co-autora e cientista da região da América do Norte na The Nature Conservancy. "Ao analisar as estratégias de gestão nos EUA e em todo o mundo, a nossa investigação reforça que os produtores estão numa posição-chave para reduzir as emissões na produção de bovinos de carne através da implementação de várias estratégias de gestão adaptadas às suas condições locais".


Ainda sobre este estudo, Daniela Cusack, autora principal e professora assistente no Departamento de Ciência de Ecossistemas e Sustentabilidade da CSU e investigadora associada do Smithsonian Tropical Research Institute no Panamá referiu "A nossa análise mostra que podemos melhorar a eficiência e sustentabilidade da produção de carne de bovino, o que reduziria significativamente o impacto climático desta indústria", "Mas, ao mesmo tempo, nunca alcançaremos emissões líquidas-zero sem que haja mais inovação e desenvolvimento de estratégias para além da gestão dos solos e do aumento da eficiência de crescimento". Há muito espaço, a nível global, para melhorias".


Consulte a notícia completa aqui.