• Ana Rita Silva

A energia solar e os microrganismos podem aumentar a quantidade de proteínas

Uma equipa alemã quer revolucionar as práticas agrícolas. Estão a trabalhar num projecto que combina energia solar e micróbios, e podem produzir 10 vezes mais proteínas do que as culturas. Este estudo está centrado no feijão de soja uma vez que estes tipos de culturas estão ligados à destruição de florestas. Publicaram a primeira comparação quantitativa do uso da terra e da eficiência energética entre a agricultura tradicional e os sistemas de produção microbiana movidos a energia solar.

Este sistema pretende utilizar a electricidade dos painéis solares, e o carbono do ar, para criar combustível para microrganismos. Estes microrganismos, por sua vez, crescem em cubas bioreactoras e depois são transformados em pó proteico seco. O processo faz um uso altamente eficiente da terra, água e fertilizante e pode ser implementado em qualquer lugar. Não se deixe enganar! - este sistema poderia ser implementado em países com sol forte ou fraco e solos férteis ou pobres. A análise estimou que este processo poderia produzir 15 toneladas de proteína por hectare (ou por 2,5 acres) por ano, o suficiente para alimentar 520 pessoas.


Dorian Leger, no Instituto Max Planck de Fisiologia Vegetal Molecular em Potsdam, Alemanha, acredita que "os alimentos microbianos são muito promissores e serão um dos maiores contributos para a resolução da potencial crise alimentar" que vivemos hoje em dia, com o aumento da população mundial e a falta de alimentos em alguns países. Já existem vários e comuns alimentos feitos a partir de micorganismos, como é o caso do pão, iogurte, cerveja e muito mais. Além disso, algumas empresas já estão a produzir alimentos para animais a partir de micorganismos.


Para combater a fome, é, também, necessário reduzir a quantidade de gases com efeito de estufa no mundo e poupar água - por exemplo, a pecuária resulta em enormes quantidades de gases com efeito de estufa, bem como na poluição da água. Será impossível enfrentar a crise climática sem reduzir as emissões da produção de alimentos para animais e lacticínios. Os sistemas apresentados neste artigo, para além de aumentar a produção de proteínas, teriam também muito pouco impacto sobre o ambiente. Os investigadores descobriram que os sistemas microbianos utilizavam apenas 1% da água necessária para as culturas e uma pequena fracção do fertilizante.


Outra iniciativa muito interessante está baseada na Finlândia e utiliza electricidade para criar alimentos para seres humanos – Solar Foods.


Este artigo foi escrito com base neste artigo.

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