• Ana Rita Silva

Food4Sustainability unidos contra o desperdício alimentar

Atualizado: Mai 25

O desperdício alimentar é uma questão de importância global que resulta em consequências de diferentes níveis, tais como segurança alimentar, ambiental, económica, entre outras.

Na União Europeia são gerados anualmente cerca de 88 milhões de toneladas de resíduos alimentares, sendo que 53% destes resíduos alimentares surgem no agregado familiar, seguindo-se o processamento (19%) e a produção (11%). Estudos realizados por Fusions, 2016, mostram que os agregados familiares têm um papel determinante no nosso futuro coletivo. Os resíduos alimentares produzidos anualmente têm custos associados estimados em 143 mil milhões de euros.


Por isto, temos todos de contribuir um pouco para enfrentar esta questão.


A equipa da Food4Sustainability faz já parte desta união contra o desperdício alimentar, adotando algumas medidas nas suas casas. Juntos podemos fazer a diferença! Partilhamos neste artigo, algumas práticas dos membros da equipa. Muitas destas estratégias, além de combaterem o desperdício alimentar, são capazes de tornar as nossas refeições mais ricas em sabor e mais nutritivas, e ajudar-nos a poupar algum dinheiro.


Organizar o frigorífico e armários regularmente


Uma das estratégias mais eficazes para diminuir a desperdício alimentar, passa por termos sempre presente aquilo que está no nosso frigorífico e armários. “Arrumar o frigorífico e o congelador com frequência permite garantir que não fica comida esquecida” é o conselho da Daniela Fonseca.


Colocar os alimentos mais antigos, à frente nas prateleiras também garante que nenhum prazo de validade é ultrapassado. Fazer um inventário das embalagens que temos na despensa permite-nos gerir o seu conteúdo com maior eficácia.


Fazer listas de compras


Uma das fases essenciais para combater este problema, é quando estamos fora de casa. Antes de sair de casa para ir às compras, devemos sempre “fazer uma revisão do que temos em casa, para complementar. Levar uma lista de compras, é essencial!”, conta-nos João Gama.


Apesar de a compra excessiva de produtos não seja aconselhada, por vezes acontece – quando encontramos bons descontos, por exemplo. Mas existem várias soluções bastante sustentáveis, para este tipo de situações, como “quando compro grandes quantidades (por exemplo, um saco de 1 kg de cenouras), descasco, corto uma parte e congelo logo.”, exemplo que a Daniela Fonseca põe em prática na sua casa.


“Também costumo fazer polpa de tomate em muita quantidade (quando há muito tomate) e depois congelar naqueles sacos de fazer cubos de gelo e assim tenho cubinhos de polpa de tomate para colocar na comida durante mais tempo (em vez de andar sempre a comprar aquela polpa cheia de corantes) ”, como é o exemplo da Sílvia Moreira.


Aproveitar com criatividade


Para aproveitar sobras damos asas à imaginação, tornando a cozinha num lugar criativo. Criar refeições mais saborosas e nutritivas a partir de sobras ou, mesmo de, partes de alimentos que geralmente vão para o lixo, depende da nossa criatividade.

“Talos dos brócolos, da alface, couves, cascas de vegetais etc”, que geralmente vão para o lixo, são, muitas vezes, utilizados para fazer o caldo da sopa, segundo nos contam Cecília Franco e João Gama. Os caldos podem também ser feitos “com peixe e marisco, carne com osso, etc.” conforme nos explica João Gama.


Quando calculamos mal a quantidade de comida a fazer, podemos utilizar os restos, e produzir novos pratos. “Se me sobra algum arroz, massa, frango ou tofu, junto uns legumes para saltear, e no final um ou dois ovos para ligar tudo. Tcharan! um prato novo 😊”, assim faz a Cecília Franco.


“Aproveitar pequenos pedaços de queijo, por exemplo, para fazer bruschettas ou pizza. Ralamos, em vez de comprar, uma vez que temos o hábito de comprar queijos inteiros e depois ficam sempre pedaços esquecidos”, conforme nos conta a Daniela Fonseca.

“Fazer quiche ou lasanha quando há vários restos no frigorifico (vegetais, frango)” é o exemplo dado pela Sílvia Moreira. Quando o apetite é menor e sobram partes de alimentos, podemos “aproveitar pequenas quantidades de fruta para fazer smoothies (juntar uma meia banana (a irmã só comeu metade) com meia maçã (a mãe só comeu metade) 😄”, assim nos ensina a Daniela Fonseca.


Não deitar fora, sem antes provar


“Nem imaginas a quantidade de comida que se deita fora, pelo simples facto de ter passado de prazo: já deitaste fora iogurtes, não deitaste😉!?” A falta de conhecimento acerca do prazo de validade dos alimentos, leva a 10% dos resíduos alimentares na UE. Por isso, devemos optar por “não deitar nada fora, só porque passou de prazo, mas sim, provar sempre antes” diz-nos João Gama


A iniciativa Observar, Cheirar, Provar ensina-nos quais os 10 alimentos que podemos consumir após o prazo de validade terminar. Vale a pena a leitura!


Educar e mudar mentalidades


As crianças são o futuro e, por isso, é essencial educá-las deste tenra idade para problemáticas como esta. Desde novos é essencial “desmistificar a comida “fresca”, educando “as crianças a comerem as sobras de dias anteriores”. Além disso, “servir pouco mas mais vezes” também permite a “consciencialização para o desperdício”, conta-nos a Claúdia Costa.


Mas mesmo depois de criança, nunca é tarde para serem alteradas mentalidades! Quando nos depararmos com um desafio destes, devemos abraçá-lo e, no final, com o sentimento de que angariámos mais pessoas para esta rede contra o desperdício alimentar. Sabemos e temos a noção que nem sempre é fácil persuadirmos o outro a novos hábitos, “mas a preserverança é a palavra-chave, e vale a pena voltar a tentar, mesmo que não tenha corrido bem da primeira vez! Nunca desistas!”, partilha a Cecília Franco.


Para quem tem um espaço ao ar livre


Existem várias maneiras de aproveitar os restos alimentar quando se tem animais e um espaço exterior. “Na minha casa e nas de dois dos meus filhos que ficam na mesma aldeia, evitamos o desperdício alimentar, e reciclamos o que ainda houver de desperdício e os resíduos alimentares através dos animais - temos uma dúzia de galinhas, dois cães e meia dúzia de gatos”, assim nos conta José Amorim. A compostagem também é uma estratégia muito utilizada pela equipa para fertilizar as suas pequenas hortas, exemplos da Claúdia Costa e do José Amorim.


Onde comprar


“Comprar nos mercados locais, o mais possível, e aos produtores” permite uma “alimentação com mais gosto, e quase tudo, garantidamente, sabe melhor e dura mais, e isso é também combater o desperdício alimentar”, é a prática de João Gama.

Juntemo-nos às novas tendências e procuremos dentro da nossa localidade um produtor biológico que faça cabazes. Esta é uma tendência que se tem verificado em cada vez mais cidades. Normalmente, os cabazes são entregues semanalmente aos consumidores e vêm recheados de sabor e produtos muito nutritivos. “Compra apenas o necessário e encomenda um cabaz bio semanal de um produtor local.”, é o que nos sugere José Amorim.

Também as novas tecnologias já se uniram para combater este desperdício. E elementos da F4S já utilizam “regularmente a aplicação Too Good To Go, em que vários estabelecimentos se podem inscrever e vender a comida que iria para o lixo a preços mais baixos.”, conta-nos Silvia Moreira.

E se, porventura, comprares “fruta mais madura/tocada, podes aproveitar para fazer smoothies e sumos”, segundo Sílvia Moreira. Temos, também, uma dica para poupares algum dinheiro: “no supermercado não compres coisas fatiadas, são mais caras”, partilha-nos João Gama.


Por último, mas não menos importante, nós, como consumidores, temos o dever de contribuir para um lugar mais saudável e sustentável, incluindo quando falamos da nossa alimentação. Ser ponderados e responsáveis, tanto nas compras como em casa é essencial. Afinal, somos aquilo que comemos!


Este artigo foi escrito com base nas experiências da equipa da Food4Sustainability.

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