• Ricardo Chagas

Pode o vinho vir a ser uma indústria com emissões de carbono negativas?

Uma das indústrias que é sofre impactos significativos ano após ano devido às alterações climáticas é a indústria vinícola. Este impacto é devido a diferentes factores que compreendem a adaptação climática da vinha, o impacto da temperatura nos atributos do vinho (por exemplo, álcool, taninos, conteúdo ácido), o tipo e quantidade de irrigação necessária, ou o aumento da incidência de incêndios florestais.


Olhando para o processo de vinificação durante a produção de vinho, um dos principais produtos produzidos durante a fermentação é o dióxido de carbono.

Devido à grande quantidade de CO2 produzido durante a fermentação, os trabalhadores dentro das adegas enfrentam várias dificuldades, tais como picadas nos olhos e queimaduras na garganta, sendo mesmo registadas, tragicamente, várias mortes por asfixia.


Embora a vinificação não seja o maior produtor de CO2, proporciona a oportunidade de sequestro relativamente fácil de carbono e possível reutilização no mesmo sector, fazendo do vinho uma indústria de emissões negativas de carbono!


Estão já a ser estudadas várias técnicas para uma captura eficiente de carbono, tais como a captura direta de ar, que consiste na captura de todo o ar emitido pela adega, a remoção de CO2, e a libertação do ar "limpo" de volta para a atmosfera.


O CO2 sequestrado pode ser usado de diferentes formas: pode ser transformado em outros materiais à base de carbono (biocombustível), enviado para o subsolo para remineralizar, ou mesmo ser reutilizado na própria indústria vinícola, como ingrediente injectado para produzir vinhos carbonatados, ou como substituição de gelo seco ou outro gás pressurizado para inertização dos tanques de vinho.


Desta forma, seria possível reduzir a pegada de carbono das adegas através do sequestro do CO2 libertado durante as fermentações utilizando diferentes tecnologias ainda em desenvolvimento (e algumas já em uso). Esta redução ajudaria, não só o sector vitivinícola, ao conseguir zero (ou negativas) emissões de carbono, mas também a saúde de todas as pessoas que trabalham diretamente neste sector.


Parece que é uma situação vantajosa para todos!

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