• Joana Grácio

Redução dos impactos climáticos da produção de carne de bovino

Estudo liderado pela Universidade Estadual do Colorado indica que a produção de bovinos para carne pode diminuir a sua emissão de GEE até 50% alterando práticas.




A agricultura tal como muitas outras atividades, tem em mãos o grande desafio de redução da emissão dos gases de efeito de estufa (GEE).

O setor agrícola promove o sequestro de carbono, mas também é responsável pela emissão de GEE principalmente através de metano e de óxido nitroso. É o setor animal o responsável pelas fontes de emissão mais relevantes da agricultura e por exemplo no território português, representa 83% nos cerca de 10% das emissões totais.

São várias as medidas para mitigar a emissão de GEE na atividade pecuária. As mais determinantes devido ao peso que representam, estão relacionadas com a diminuição de gases libertados por via da natural fermentação entérica através da eficiente gestão do regime alimentar ou em contraponto, com a promoção de sequestro de carbono pelo solo e pastagem.

Recentemente, uma investigação realizada em produção de bovino para carne por um grupo liderado pela Universidade Estadual do Colorado analisou 12 estratégias para mitigar as emissões mundiais da produção bovina. A investigação compreendeu uma análise de estudos comparativos de dados de emissão de gases de efeito estufa de diferentes formas de produção bovina (convencional vs “melhorado”) provenientes de estudo de ciclos de vida, (Life cicle assessment – LCA). Entre as várias conclusões indica que:

- É possível reduzir até 50% as emissões dos GEE provenientes da produção bovina em certas regiões de produção sendo os Estados Unidos e Brasil entre Ásia, Austrália, Brasil, Canadá, América Latina e Estados Unidos, os locais com maior potencial de redução;

- Uso generalizado de práticas melhoradas na gestão de exploração pode levar a uma substancial redução de emissões nomeadamente através da promoção maior eficiência produtiva - mais Kg carne produzido por GEE emitido, isto é gestão de efetivo para vacas maiores a maior ritmo e por outro lado, gestão do solo e pastagem com vista ao aumento de sequestro pelo solo;

- Estratégias que permitem melhores resultados são esquemas de gestão integrada do campo, incluindo esquemas de pastoreio rotativo intensivo, a adição de compostos de solo, a reflorestação de áreas degradadas e a plantação seletiva de plantas forrageiras criadas para sequestrar carbono nos solos.

Pode ver aqui a publicação resultante do estudo publicada em 5 de abril na Global Change Biology assim como a notícia no site da Universidade.


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